Plano Ferroviário deve ser concluído no início de 2021

Prévia do estudo técnico inclui trecho Lavras/Três Corações/Varginha. O Plano Estratégico Ferroviário deve estar finalizado no primeiro trimestre de 2021.

Já estão em fase de estudo de pré-viabilidade 19 propostas de trens turísticos ou regionais de passageiros em Minas. Outros 14 projetos de trens de cargas também já estão com informações sistematizadas para 15 grandes tipos de produtos. E três trens metropolitanos estão sendo avaliados.

Esses números sintetizam o estágio atual do Plano Estratégico Ferroviário (PEF), que foi tema de audiência da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, nesta quinta-feira (29/10/20), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O PEF está sendo elaborado pela Fundação Dom Cabral (FDC) e deve ser finalizado até o primeiro trimestre do próximo anoEle trará os estudos de viabilidade, de custos, oferta e demanda, entre outros, para projetos que visam à retomada ferroviária no Estado.

Projetos – A lista de projetos de trens turísticos apresentada pelo professor e pesquisador da FDC, Ramon Victor Cesar, inclui, por exemplo, dois trechos em Além Paraíba (Mata) e outros no Sul de Minas, como a ligação de Lavras-Três Corações e Varginha.

Varginha – Uma crítica ao PEF veio de representantes do Porto Seco de Varginha. Otávio Bregalda e Igor Oliveira pontuaram que os projetos para a região foram segmentados para turismo, carga e passageiros, quando, na verdade, a intenção é de compartilhamento do trecho. César Mori, do Circuito Ferroviário Vale Verde, reforçou a crítica.

Os representantes do Porto Seco pediram também estudos para implementação da linha Três Corações/Cruzeiro/SP. Segundo os diretores, há possibilidade de parceria com empresários da região.

Paulo Rezende, diretor do Núcleo de Infraestrutura Logística da FDC, esclareceu que os aspectos relacionados ao compartilhamento de linhas para transporte de cargas e de passageiros ainda estão em análise e deverão ser apresentados no próximo workshop do PEF. Ramon Victor Cesar, também da FDC, completou que terminais intermodais e plataformas logísticas serão um novo capítulo do plano.

Foi aprovado requerimento para debater, em audiência, o desenvolvimento logístico da região do Porto Seco de Varginha, como foco no modal ferroviário. Assinam os deputados João Leite, Gustavo Mitre, Coronel Henrique e Sargento Rodrigues (PTB).

Plano deverá ter revisões periódicas

A necessidade de revisões do PEF foi acentuada pelo diretor da ONG Trem, André Tenuta, com vistas à inclusão de novos projetos. Para ele, o plano, até o momento, tem um viés forte de exportação de cargas, com foco em grandes corredores. “A saída é que ele seja uma coisa viva, com chances de revisão”, apontou.

João Leite afirmou que o PEF “não vai parar”. Ele citou propostas em tramitação na Assembleia que garantem incentivo tributário para o setor e, ainda, a inclusão do plano de ferrovias nas peças de planejamento e orçamento do Estado, que passam por revisões periódicas.

Vânia Silveira de Pádua Cardoso, superintendente de Transporte Ferroviário da Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade, reiterou que o PEF será somente um ponto de partida para a discussão do modal no Estado.

Sobre a possível priorização de linhas para exportação, como criticou André Tenuta, os representantes da FDC afirmaram que o estudo realizado não deixa de lado o transporte doméstico, ainda que reconheça a importância dos corredores de importação e exportação.

Ramon Cesar disse que o projeto de remodelação de bitola larga de várias ferrovias, com o objetivo de criar um grande corredor ferroviário entre Uruguaiana (RS) e Salvador (BA), passando por Minas Gerais, é exemplo de uma ferrovia de integração nacional, comparável à Norte-Sul, que existe mais para o interior do País.

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