Plano Estratégico Ferroviário: Audiência na ALMG com críticas ao projeto

Plano Estratégico Ferroviário: Audiência na ALMG com críticas ao projeto

Transporte de café, por ferrovia, para o porto de Santos, pode gerar ganhos de R$ 100 bilhões, segundo estudo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

A Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras realizou nesta segunda-feira, 13, audiência pública para debater o andamento do Plano Estratégico Ferroviário (PEF), estudo que busca selecionar projetos prioritários para a retomada ferroviária no Estado.

PEF vem sendo desenvolvido pela Fundação Dom Cabral (FDC) e conta com sugestões enviadas pela chamada “frente ferroviária”. O grupo reúne organizações da sociedade civil que atuam no setor, além de associações, conselhos, prefeituras e parlamentares. De acordo com o presidente da comissão, deputado João Leite (PSDB), FDC divulgou 65 projetos considerados prioritários, mas a lista gerou muitos questionamentos na frente ferroviária.

A Frente Ferroviária defende dois projetos: volta da Bahia-Minas e o trem turístico “Expresso do Rei”, ligando Três Corações a Lavras, em homenagem a Dom Pedro II, que inaugurou a malha. Neste caso, haveria a interligação de Varginha a Três Corações.

De acordo com João Leite, a ALMG levantou a demanda envolvendo o porto seco em Varginha (SUL), para o transporte de café, que poderia ser feito de forma alternada com o transporte de passageiros. “O ganho subiria de R$ 12 bilhões para R$ 100 bilhões”, afirmou. Hoje, segundo ele, o café segue pela BR-381 até o porto de Santos (SP).

Metodologia do plano inviabilizaria novos projetos

As críticas ao estudo vêm principalmente de organizações não governamentais que lidam com a questão e que compõem a chamada “Frente Ferroviária Mineira”, como a ONG Trem. O diretor da entidade, André Louis Tenuta Azevedo, considera que o estudo tem sido feito de forma teórica, “dentro dos gabinetes, sem ouvir as pessoas e comunidades envolvidas com o assunto”.

Na opinião dele, a lógica do plano continua sendo “meramente econômica”, privilegiando as grandes empresas que utilizam as ferrovias e apenas os corredores de exportação de minério e soja.

Para André Tenuta Azevedo, a metodologia utilizada pela Fundação Dom Cabral, na prática, inviabiliza os projetos para implantação de trens de passageiros em Minas. “Foi um massacre. Dos 11 projetos de trens turísticos, ficaram apenas oito no plano; dos 23 projetos de trens de passageiros, ficaram só sete”, observou.

Segundo ele, o estudo separa trens turísticos e trens regulares de passageiros em duas categorias distintas. Os turísticos ficaram no chamado “greenfield”, área verde, onde tudo teria que ser construído do zero; e os de passageiros ficam no “brownfied”, área onde já existe o traçado e as linhas teriam apenas que ser recolocadas. Outro erro seria o estudo ter ignorado as linhas já existentes, apontando para a construção de novas, o que ficaria muito mais caro.

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