Pesquisa usa substâncias de garrafas PET na descontaminação do petróleo

Experimentos desenvolvidos no Mestrado em Química alcançam 92% de remoção de elementos contaminantes do petróleo, causadores de problemas ambientais

Em 25 anos, a demanda global por petróleo e derivados deve aumentar 28%, caso as políticas energéticas atuais permaneçam intactas. No entanto, as fontes de petróleo estão cada vez mais escassas. Paralelo a isso, em 2016, apenas 18% dos resíduos sólidos urbanos (metais, papéis, plásticos e vidros) gerados no Brasil foram reciclados*.

Mas você deve se perguntar: o que esses dados têm em comum? As garrafas PET, descartadas em lixos domésticos em todo mundo. Os seus componentes químicos (ácido tereftálico e o monoetileno glicol) foram testados como descontaminantes do petróleo pela pesquisadora Nathália Rodrigues de Oliveira, no Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Química de Minas Gerais.

Orientada pela professora do Departamento de Química do CEFET-MG, Raquel Mambrini, Nathália sintetizou, em laboratório, um novo material (catalisador) capaz de remover substâncias contaminantes do petróleo, como o enxofre, o nitrogênio, o oxigênio e alguns metais. “Esses contaminantes trazem uma série de inconvenientes, tanto durante o processamento do petróleo, quanto na utilização final de seus derivados (gasolina, querosene e diesel, por exemplo), como corrosão de materiais, instabilidade térmica, envenenamento de catalisadores, emissão de gases poluentes – causadores da chuva ácida -, durante o processo de combustão, entre outros”, explica a pesquisadora.

Esse tipo de método, por exemplo, é uma alternativa para as refinarias do mundo, que não estão preparadas para processar óleos pesados. Estima-se que haja depósitos de seis trilhões de barris, mas com altas concentrações de enxofre, nitrogênio, acidez e viscosidade. Por esse motivo, “o desenvolvimento de melhorias e a procura por alternativas mais baratas e eficientes para a remoção de contaminantes do petróleo vem sendo alvo de inúmeras pesquisas durante os últimos anos”, acrescenta Nathália.

Foi nesse sentido que a pesquisadora, então, fez o teste com os catalisadores sintetizados através de substâncias presentes nas garrafas PET, obtidos por meio de processos químicos nos laboratórios do CEFET-MG, na remoção de alguns contaminantes do petróleo de forma experimental e os resultados foram surpreendentes: alcançaram a marca de remoção acima de 92%, provando ser uma ótima forma “de ajudar, de maneira sustentável, o meio ambiente e de transformar a forma com que vemos e tratamos o lixo”, completa Nathália.

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