Desgaste da relação Brasil-Estados Unidos para a geração de acordos comerciais

Desgaste da relação Brasil-Estados Unidos para a geração de acordos comerciais

“Por coincidência, a palestra está sendo realizada no dia das eleições nos Estados Unidos e como todos sabemos, o resultado terá impacto na economia e política mundial, inclusive no Brasil”, assim Fabiano Nogueira, diretor Consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da instituição, abriu a 8ª palestra do Ciclo de Conferências – A Nova Política Externa Brasileira. O evento foi realizado no dia 3/11, a mesma data do pleito norte-americano.

Segundo Nogueira, os Estados Unidos são um dos nossos principais parceiros comerciais, com o maior investimento no Brasil e o segundo maior comprador de produtos. “Em 2019, a participação bruta deles representou 21% do total de investimentos externos. No comércio, representou 13,1% das exportações de produtos brasileiros”, afirmou.

O convidado do Ciclo foi o ministro Felipe Hees, diretor do Departamento Estados Unidos da América do Itamaraty. O diplomata apresentou para os empresários mineiros e demais convidados, o tema A nova aliança Brasil-Estados Unidos.

“Começo com um sobrevoo sobre as relações bilaterais entre os dois países, partindo de uma contextualização”, explicou, pontuando que os Estados Unidos e o Brasil são as maiores economias do hemisfério e, também, as maiores democracias, o que demostra uma convergência de interesses e pautas. “São dois países que, cada um com sua peculiaridade, observam o mundo tendo uma mesma matriz”, afirmou, pontuando que nas questões comerciais e econômicas, a densidade de interesses ganhou, nos últimos anos, uma clareza inegável.

“A corrente de comércio entre ambos ultrapassa US$70 bilhões. Se compararmos 2018 com 2019, essa corrente aumentou”, disse ressaltando que 2020 é um ano atípico, devido a crise causada pela Covid-19, e que será necessário avaliar, com cuidado, as relações comerciais entre as duas nações.
Segundo Hees, os investimentos diretos dos norte-americanos no Brasil são superiores a US$80 bilhões e os investimentos do Brasil nos Estados Unidos é de cerca de US$45 bilhões. “Isso não deixa dúvidas sobre a importância da parceria”, ressaltou, esclarecendo que essa nova parceria entre os países foi iniciada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, que reconheceu a importância desta relação. “Esse reconhecimento tinha se perdido ao longo dos anos”.

Para o diretor do Departamento Estados Unidos da América do Itamaraty, a face mais visível deste resgate é o número de visitas entre representantes dos dois países, mesmo em um cenário marcado pela pandemia. “Os dois presidentes se encontraram, ao longo de dois anos, quatro vezes, o que pode ser considerado um número elevado”, afirmou esclarecendo que as visitas não são apenas protocolares e que elas abrem canais para resultados concretos. “Neste ano tivemos a visita de Robert O’Brien, conselheiro nacional de Defesa, que resultou na assinatura de uma linha de financiamento em projetos em áreas específicas”, afirmou.

O ministro citou como exemplo o lançamento, em 2019, do projeto Diálogos Estratégicos, que é um canal diplomático para o intercâmbio de opiniões sobre os mais diversos temas. O outro case foi a reunião do CEO Fórum, realizado no fim de setembro deste ano, que reuniu representantes de setores privados e dos governos, de ambos os países, para discutirem os temas da agenda comercial.

Hees destacou, no setor comercial, alguns projetos que estão em andamento, como a discussão de um Memorando de Entendimento nos Setor de Transportes Aéreos com a concessão aos norte-americanos da 7ª liberdade, que é a possibilidade de aeronaves de carga dos Estados Unidos possam transitar em espaço aéreo brasileiro sem o intermédio das companhias áreas. “Isso pode reduzir os custos de logísticas”. Também citou o poio dos EUA ao processo de adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e as negociações para a atualização do Acordo de Incentivo ao Investimento.

O ministro também apresentou o Acordo de Salvaguarda Tecnológica, que foi assinado em 2019, e que trata do uso comercial da base de Alcantra, no Maranhão, e a assinatura do protocolo que atualizou o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (ATEC), que tem como base a Facilitação de Comércio, Boas Práticas Regulatórias e a Anticorrupção. “São temas que atendem, diretamente, ao anseio do setor privado e a concretude das relações unilaterais”, afirmou Hees dizendo que, quanto ao futuro, a expectativa é a assinatura de um acordo comercial amplo.

O Ciclo de Conferências – A Nova Política Externa Brasileira é uma iniciativa da FIEMG em parceria com o Ministério das Relações Exteriores e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG).

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