Assembleia será parceira da UFMG em vacina contra Covid

Presidente da ALMG anuncia emenda a projeto de lei, que vai garantir recursos para produção de imunizante 100% nacional.

A destinação de recursos para a continuidade da pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) referente à vacina contra a Covid-19 foi garantida pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Agostinho Patrus (PV), em Reunião Especial de Plenário na manhã desta quarta-feira (14/4/21).

reunião foi destinada a ouvir a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, sobre os estudos em andamento na universidade relacionados ao desenvolvimento e à produção de vacina contra o novo coronavírus.

Agostinho Patrus destacou que tramita na ALMG o Projeto de Lei (PL) 2.508/21, do governador Romeu Zema, o qual autoriza a utilização de recursos oriundos de acordo judicial firmado com a Vale para a reparação de danos causados pelo rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que matou 272 pessoas em janeiro de 2019.

Ele se comprometeu a incluir, por meio de uma emenda ao projeto de lei em questão, a destinação do valor de R$ 30 milhões necessário para as fases 1 e 2 dos testes neste ano. A proposição cumpre prazo para apresentação de emendas na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária.

“Vamos reduzir ações pouco efetivas para este momento que vivemos contidas no projeto e exigir que o repasse para o desenvolvimento da vacina seja feito ainda neste ano e não haja nenhuma interrupção dos estudos. Esperamos que as mortes ocorridas em razão do rompimento da barragem não tenham sido em vão e tragam possibilidade de vida”, defendeu.

“A vacina é nossa solução para reduzir o sofrimento das pessoas, para garantir o retorno seguro das atividades econômicas e para assegurar, acima de tudo, a vida”, destacou.

Reitora enfatiza importância do repasse de recursos

A reitora da UFMG enfatizou a relevância dos recursos para a continuidade dos estudos. Ela disse que a UFMG vai sofrer, neste ano, corte de R$ 40 milhões no seu custeio, o que corresponde a 18,9% do seu orçamento, o que inviabilizaria o projeto.

Sandra Goulart falou sobre a vacina identificada como “quimera proteica”, que está em estágio mais avançado entre outras seis pesquisadas pela UFMG e parceiros e é também uma das três em desenvolvimento mais adiantadas no País. “Chegamos a um ponto em que não podemos parar”, afirmou.

A reitora comentou que esta vacina intramuscular apresenta baixo custo em relação a outras. “Já sabemos como produzi-la. É uma vacina tradicional”, disse. Segundo ela, os testes em camundongos apresentaram resultados de 100% de eficácia, uma vez que nenhum deles desenvolveu a doença. Desde a última terça (13), ela já está sendo testada em primatas.

expectativa da reitora é de que, em 2022, a vacina possa ser produzida nacionalmente. Sandra Goulart comentou que acordo já está sendo feito com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) para essa finalidade.

Segundo a reitora da UFMG, o desenvolvimento da vacina é uma questão de soberania nacional e também de responder ao desafio da pandemia no contexto de escassez de imunizantes. Embora o valor da pesquisa seja alto, ela destacou que é preciso refletir sobre o custo da importação de insumos, que é ainda maior, e sobre a possível necessidade de se vacinar contra a Covid anualmente.

Deixe um comentário